Ser mãe solo é exercer, todos os dias, um papel de força, cuidado e responsabilidade absoluta. A mãe é quem garante a rotina, o afeto, a estabilidade emocional e, muitas vezes, também a segurança financeira do filho. Mas, junto com esse amor incondicional, existe uma preocupação silenciosa que quase nenhuma mãe gosta de verbalizar: o que aconteceria com meu filho se eu não estivesse mais aqui?
Essa angústia se torna ainda mais profunda quando o pai da criança é ausente, negligente ou emocionalmente distante. A simples possibilidade de que, na ausência da mãe, o filho possa ser colocado sob a guarda de alguém que nunca participou da sua criação, que não conhece sua rotina, seus medos, suas necessidades, causa um medo real e legítimo. Porque criar um filho não é apenas prover um teto, mas oferecer cuidado, vínculo e proteção emocional.
Além disso, existe uma preocupação que muitas mães solo carregam em silêncio: o destino do patrimônio que foi construído exclusivamente por elas. Anos de trabalho, esforço e renúncias para garantir segurança ao filho podem ser colocados em risco se, após o falecimento da mãe, a administração desses bens ficar sob responsabilidade de um pai ausente, que pode dilapidar o patrimônio ou utilizá-lo em benefício próprio, e não no melhor interesse da criança.
É exatamente nesse contexto que o testamento se torna uma ferramenta fundamental de proteção. Por meio dele, a mãe solo pode manifestar formalmente sua vontade, indicando uma pessoa de confiança para exercer a tutela do filho menor, alguém que conheça sua história, seus valores e que seja capaz de garantir cuidado, estabilidade e afeto na sua ausência. Essa nomeação não é automática, mas tem peso jurídico relevante e é seriamente considerada pelo Judiciário.
O testamento também permite estabelecer regras claras sobre a administração do patrimônio dos filhos, determinando como os bens devem ser utilizados, quem pode administrá-los e quais limites devem ser respeitados, sempre com foco exclusivo no bem-estar, educação e desenvolvimento da criança. Trata-se de um instrumento de prevenção de conflitos e de violência patrimonial, especialmente em cenários de parentalidade desigual.
Pensar sobre isso não é pessimismo. É um ato de amor, responsabilidade e proteção. Planejar juridicamente o futuro do filho é garantir que ele esteja amparado por pessoas de confiança e que tudo aquilo que a mãe construiu ao longo da vida continue cumprindo seu verdadeiro propósito: cuidar do filho, mesmo quando ela não puder mais estar presente.
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